terça-feira, 20 de abril de 2010

UM POETA QUE ESCREVE COM FORMÃO, SERRA E MASSO....

É comum as pessoas que compõem o público que visita as feiras culturais que se instalam tradicionalmente nos parques e praças das cidades, elogiarem nosso trabalho e se referirem ao artesão como "artista". 
Nestes 11 anos de exposição dominical na Feira de Artesanato do Bom Fim, tradicional Brique de Domingo, em Porto Alegre, ouço constantemente esses, ditos, elogios.

Contestei a alguns meses uma dessas afirmações, pois entendendo que, para o "artista" de rua ou feiras, esses como eu que criam seus trabalhos, estudam e pesquisam suas matérias-primas, produzem, experimentam, inseridos em um sistema de relação prática -teoria - prática, quando expõem suas peças ao público, seu melhor elogio é o consumo do trabalho. Isto é não ser hipócrita!

Outro momento de relação conturbada com esse público, é o " qual o menor preço?", bueno, se você é chamado de "artista", essa pessoa que te eleogia diz que "nunca" viu nada assim!", então por que desqualificar o trabalho alheio, pedindo desconto? Será que essa mesma pessoa vai em uma dessas lojas tipo "magazines" e pega uma bermuda de cem reais e chega ao caixa e manifesta o mesmo questionamento? Por que o ímpeto de quem vai á feira é querer desqualificar o trabalho daqueles produtores da cultura popular que ali estão? É parte dessa cultura, esse comportamento?

Nós não reduzimos o valor do nosso trabalho. Há vários argumentos que poderiam justificar essa posição, no entanto, o respeito com o fazer e o saber é o principal deles. Como diz Galeano, 'somos o que fazemos...'.

Sou um poeta que escreve com formões, goivas, serra e masso. O contraste dos meus fazeres são imagens projetadas pelos saberes. As cores que traço são marcas das vicissitudes da vida. O custo é o mínimo de retribuição requerida pela posse dessa manifestação. 

Não há desconto por que você compra 
nosso trabalho por inteiro. 

VISETE AS FEIRAS, ELOGIE OS PRODUTORES ARTESÃOS, CONSUMA SEU TRABALHO, 
APRECIE SEU CONHECIMENTO.... 
                     NÓS AGRADECEMOS SUA SENSIBILIDADE!!!!

sábado, 10 de abril de 2010

II _ 9ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Política Cultural


Audiência Pública sobre o SNC

Explanação na Câmara dos Deputados contou com a presença de dirigentes do MinC e de conselheiros do CNPC

Na tarde desta quarta-feira, 7 de abril, em Brasília, os participantes da 9ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC) interromperam os trabalhos para assistir, na Câmara dos Deputados, Audiência Pública promovida pela Comissão Especial de Tramitação da PEC 416/2005, que institui o Sistema Nacional de Cultura (SNC).
A mesa foi composta pelos deputados Maurício Rands (PT-PE) e Paulo Rubem Santiago (PDT-PE), presidente da Comissão e relator da Proposta de Emenda Constitucional, respectivamente. Representando o Ministério da Cultura, a explanação contou com a participação do secretário executivo Alfredo Manevy e da secretária de Articulação Institucional, Silvana Meireles.
Os dirigentes do MinC expuseram sobre a relevância da aprovação do SNC para que se avance no sentido de alçar a Cultura como um direito básico inerente a todo cidadão e um eixo prioritário de atuação do Estado brasileiro.
Para Manevy, este é o “ano da Cultura no Congresso Nacional”, onde, além do SNC, tramitam outras propostas importantes para a consolidação de uma política pública para a área, como a reformulação da Lei Rouanet, o Plano Nacional de Cultura e o Vale-Cultura.
“Quero agradecer pela acolhida plural e republicana que todas as pautas e debates com a temática da Cultura têm tido nas duas casas do Legislativo.”
“As 32 propostas consideradas fundamentais e as 31 moções aprovadas na última Conferência Nacional de Cultural abordam, claramente, a necessidade da aprovação do SNC e para isso contamos com a participação dos parlamentares”, argumentou Silvana Meireles. Ainda destacou que a federalização é necessária para garantir a acessibilidade, pois estados e municípios têm papel fundamental no processo.
O deputado Raimundo de Matos (PSDB-CE), membro da Comissão Especial de Tramitação, disse considerar que o fato de ser ano eleitoral pode facilitar o aprovação da PEC. “Sem dúvida todos reconhecem a importância da matéria e por ser uma questão suprapartidária pode haver um diálogo com as bancadas estaduais sobre o tema e isso facilitar o trâmite da proposta e sua consequente aprovação”, esclareceu o parlamentar.
Também participaram da Audiência Pública a deputada Fátima Bezerra (PT-RN); Anita Pires, presidente do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura; Luciana Vieira de Azevedo, presidente da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco; e, pelo MinC, João Roberto Peixe, coordenador geral de Relações Federativas e Sociedade e do SNC, e Rosa Coimbra, representante do CNPC.


Informações recebidas de RENATO MOURA, artesão do Tocantins, representante do Setor do Artesanato no Conselho Nacional de Cultura 

Oficina Madeira Rendada: 9ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Política Cultural

Oficina Madeira Rendada: 9ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Política Cultural

9ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Política Cultural


Audiência Pública sobre a II CNC

Resultado da Conferência foi apresentado na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados

A secretária de Articulação Institucional do Ministério da Cultura e coordenadora do Programa Mais Cultura, Silvana Meireles, apresentou aos parlamentares da Comissão de Educação e Cultura (CEC) da Câmara dos Deputados, na manhã desta quarta-feira, 7 de abril, o resultado da II Conferência Nacional de Cultura.
“O Congresso Nacional é fundamental na aprovação do marco regulatório da Cultura, das propostas de emenda constitucional e dos projetos de lei citados em inúmeras propostas prioritárias da II CNC”, lembrou a secretária Silvana Meireles.
Entre as prioridades eleitas pela Conferência estão a aprovação da PEC 416/2005, que institui o Sistema Nacional de Cultura, da PEC 150/2003, que designa recursos financeiros à Cultura com vinculação orçamentária, e da PEC 49/2007, que insere a Cultura no rol dos direitos sociais da Constituição Federal; e a inclusão dos Programas Cultura Viva e Mais Cultura na Consolidação das Leis Sociais. Os Projetos de Lei que instituem a Lei Griô, o Plano Nacional de Cultura (PNC) e o Programa de Fomento e Incentivo à Cultura (Procultura) também foram elencados como prioritários.
“Se não formos capazes de encaminhar essas propostas, estaremos nos rendendo, mais uma vez, ao domínio do capital privado no setor”, alertou o deputado Paulo Rubem Santiago (PDT-PE). Ressaltou, ainda, que é preciso encontrar espaços no orçamento de 2011 para incluir verbas que concretizem as propostas da II CNC. “O Brasil ainda não percebeu o impacto das políticas públicas culturais na área econômica”, afirmou.
Já o deputado Pedro Wilson (PT-GO) solicitou que deputados federais e senadores verifiquem se as propostas aprovadas na II CNC estão sendo consideradas pelos governos estaduais em suas políticas públicas. “Precisamos confrontar essas proposições, avançar com o que foi apresentado pela sociedade na Conferência”, esclareceu.
O coordenador da II CNC, Joãzinho Ribeiro, considerou o evento como uma “mobilização inédita e expressiva no campo cultural”. Para ele, “é preciso que os resultados desta consulta pública sejam consolidados”.
Presidiram a Audiência Pública, o deputado Angelo Vanhoni (PT-PR) e a deputada Fátima Bezerra (PT-RN). Na oportunidade, os dois parlamentares parabenizaram o Ministério da Cultura pelo sucesso na realização da II Conferência Nacional de Cultura.
Informações recebidas de RENATO MOURA, artesão do Tocantins, representante do Setor Artesanato no Conselho Nacional de Cultura.

terça-feira, 6 de abril de 2010


TRABALHO E RENDA
CCJ aprova Lei do Artesanato Gaúcho de autoria de Villaverde
Por: André Pereira - MTB 4704 / PT
Data: 06/04/2010  Hora: 11:02
Foto: Marco Couto / Ag. AL
 
Em sua reunião na manhã desta terça-feira (06) a Comissão de Constituição e Justiça aprovou, com a unanimidade dos nove parlamentares presentes, a Lei do Artesanato Gaúcho, de autoria do deputado Adão Villaverde (PT). O projeto de lei 366/2006, que tramita há quase quatro anos na Assembleia Legislativa, propõe a instituição da Política Estadual de Valorização do Artesanato no Rio Grande do Sul, "com a finalidade de contribuir para o desenvolvimento sustentável, fortalecer as tradições culturais e locais, incentivar o processo artesanal e a manutenção da geração de trabalho e renda no Estado".
 
Para Villaverde, os deputados devem acelerar o ritmo de tramitação, compreendendo a importância do projeto que propõe a instituição de um instrumento de Estado, de apoio e valorização desta tradicional atividade. "O Estado não deve ser apoiador só da grande empresa -que é contemplada com incentivos e renúncias fiscais - mas deve ser indutor e traçar diretrizes para setores como o do artesanato que agrega muita gente e gera emprego e renda", disse ele, observando que sem uma política específica para o setor sequer podem ser reservados recursos financeiros para a atividade no orçamento do Estado.
 
O PL 366/2006 quer construir "uma legislação estadual que consolida o conceito, a classificação e os demais critérios que envolvem o artesão e o artesanato,  e protegê-los de eventuais critérios subjetivos, evitando, com isto, desvirtuar a atividade por simples cópia de objetos, em prejuízo da riqueza do valor intrínseco da habilidade manual nos produtos do artesanato". 
 
O presidente do Sindicato dos Artesãos do Estado do Rio Grande do Sul (ArtesãoRS), Sérgio de Freitas Silva, comemorou a aprovação considerando as possibilidades que vislumbra para o desenvolvimento de todo o setor artesanal do Estado."Estão cadastrados mais de 70 mil artesãos e artesãs na Fundação Gaúcha do Trabalho", lembrou ele.

quinta-feira, 25 de março de 2010

PROJETO DE LEI 366/2006 - Institui a Política de Valorização do Artesanato no RS

Projeto de Lei nº 366 /2006
Deputado(a) Adão Villaverde
Institui a Política Estadual de Valorização do Artesanato no
Estado e dá outras providências.
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 1º - Esta Lei estabelece a Política Estadual de Valorização do Artesanato, com a finalidade de
contribuir para o desenvolvimento sustentável, fortalecer as tradições culturais e locais, incentivar o
processo artesanal e a manutenção da geração de trabalho e renda no Estado.
Art. 2º - Para fins desta lei, considera-se:
I - artesão: aquele que detém o conhecimento do processo produtivo, sendo capaz de transformar a
matéria-prima, criando ou produzindo obras que tenham uma dimensão cultural, exercendo
atividade predominantemente manual, principalmente na fase de formação do produto, podendo
contar com o auxílio de equipamentos, desde que não sejam automáticos ou duplicadores de peças.
II - artesanato: é o objeto ou conjunto de objetos utilitários e decorativos para o cotidiano do
homem, produzidos de maneira independente, usando matéria-prima em seu estado natural e/ou
processados industrialmente, mas cuja destreza manual do homem seja imprescindível e
fundamental para imprimir ao objeto características próprias, que reflitam a personalidade e a
técnica do artesão, sendo comercializados através de entidade incentivadora da atividade, ou
diretamente ao consumidor final sem intermediários.
§ 1° - Não será considerado artesão:
I - aquele que trabalhar de forma industrial, com predomínio de máquinas, utilizar trabalho
assalariado ou de produção em série industrial;
II - aquele que realizar somente uma parte do processo da produção artesanal, sem conhecimento
técnico ou participação do restante, até seu acabamento final.
§ 2° - Não será considerado artesanato o objeto que seja:
I - resultado de simples montagem com matéria industrializada e/ou produzidas por outras pessoas;
II - produto alimentício;
III - produto da chamada “pesca artesanal”;
IV - produto de lapidação de pedras preciosas e semipreciosas e da ourivesaria, com exceção da
prata;
V- a reprodução em papel, madeira, tecido e outras matérias-primas de produtos industrializados,
bem como a mera reprodução de desenhos de terceiros ou protegidos por direitos autorais;
VI - a pintura enquanto matéria-prima, exceto quando for técnica principal e enquadrar-se no inciso
II do “caput”.
Art. 3º. São diretrizes da Política Estadual de Valorização do Artesanato:
I - valorização da identidade e cultura gaúchas, através da expansão e renovação da técnica do
artesanato e do incentivo das entidades de apoio;
II - integração da atividade artesanal com outros setores e programas de desenvolvimento
sustentável;
III - qualificação permanente dos artesãos e estímulo ao aperfeiçoamento dos métodos e processos
de produção;
IV - definição dos requisitos para que os artesãos possam se beneficiar das políticas e incentivos
públicos ao setor;
V - identificar os artesãos e as atividades artesanais, conferindo-lhes maior visibilidade e valorização
social;
VI - certificar a qualidade do artesanato, valorizando os produtos e as técnicas artesanais.

CAPÍTULO II
DA CLASSIFICAÇÃO
Art. 4º - O artesanato do Rio Grande do Sul desde que, atendidos os critérios definidos no art. 2º desta
lei, será assim classificado para fins de certificação:
I - Artesanato indígena: Entendido como o resultado do trabalho de uma comunidade indígena,
onde se identifica o valor de uso e a relação social da correspondente comunidade;
II - Artesanato tradicional: Entendido como a manifestação popular que conserva determinados
costumes e a cultura de um determinado povo e/ou região;
III- Artesanato típico regional étnico: Entendido como aquela manifestação popular específica,
identificada pela relação e manutenção dos costumes e cultura, resultado da ocupação, povoação e
colonização do Estado;
IV - Artesanato contemporâneo: Identificado pela habilidade manual que incorpore elementos de
diversas culturas urbanas ou pela inovação tecnológica através do uso de novos materiais.
CAPÍTULO III
DO REGISTRO
Art.5º - Para fins dessa Lei, a atividade do artesão deverá ser registrada junto ao órgão do Estado
responsável pelo seu controle, inclusive quanto à matéria prima que utiliza.
Art.6º - Todos os Artesãos terão Carteira de Identificação e Registro, com validade de 12 meses,
renovável ao final do período.
Art.7º - Será permitido o registro de até três tipos de matérias-primas para a atividade do artesão.
Parágrafo Único: O artesão que solicitar inclusão de nova matéria-prima, além das três já registradas,
deverá indicar qual deverá ser excluída.
Art.8º - Para registro ou inclusão de matéria-prima, o artesão deverá demonstrar conhecimento e
domínio prático da atividade artesanal.
Art.9º - A avaliação para o registro do artesão deverá ser objetiva, e orientada pelos seguintes
critérios:
I - conhecimento da matéria-prima e da sua aplicação no artesanato;
II - capacitação e domínio técnico completo;
III - estética e acabamento da peça.
Art. 10 - O interessado deverá, em todos os casos, demonstrar que realiza o trabalho de elaboração da
peça do princípio ao fim da mesma, apresentando amostras do artesanato.
Parágrafo único - O artesanato que alcançar padrões de qualidade e desing especificados em
regulamento será certificado, através de “selo de qualidade”, que lhe ateste tais padrões.
Art. 10º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Palácio Farroupilha, 05 de julho de 2006.
Deputado(a) Adão Villaverde

II CONFERÊNCIA NACIONAL DE CULTURA ESTRATÉGIAS SETORIAIS PRIORITÁRIAS – ARTESANATO


Mais uma vez ações do Governo Federal surpreendem!

Temos atuado na construção de políticas públicas e participado de projetos financiados com recursos públicos federais já a vários anos; fundamentalmente, em áreas aonde a cultura e a geração de renda mantém uma relação deveras estreita. Vinculado a ações na Economia Solidária em primeiro momento, durante as discussões da Reforma Trabalhista, junto ao Ministério do Trabalho, e através do MOCAMBO, temos atuado junto aos quilombos promovendo o etnodesenvolvimento econômico e cultural, como está sendo a constituição da Rede do Selo Quilombos do Brasil, envolvendo empreendimentos originários de comunidades quilombolas em cerca de 17 estados brasileiros.

O convite realizado pelo Minc, que proporcionou nossa participação na Pré-Conferência Setorial de Artesanato, nos leva a uma análise preliminar: que há uma nítida ausência de representatividade do setor, o fluxo de informação está centrado e inoperante; e, por fim, não há política pública estadual para o setor.

Tendo como objetivos, “promover o debate e a reflexão valorizando a complexidade e a diversificação de atividades em cada um dos campos setoriais e, debater e encaminhar propostas para as políticas públicas de cultura e as políticas setoriais específicas para cada um dos segmentos envolvidos no processo, de forma a contribuir com a formulação dos Planos Nacionais Setoriais”;.foram para este setor profundamente e positivamente atingidos. O empenho de cada um dos participantes, delegados e convidados, sociedade civil e poder público, todos divergentes ou não buscaram elevar ao máximo as discussões, bem como a compreenção da amplitude das estratégias e diretrizes definidas ao final.

As estratégias debatidas e aprovadas pelos delegados do Setor do Artesanato, abaixo relacionadas, apontam a dimensão do empenho nas discussões. Também foi aprovada como moção de encaminhamento ao Governo Federal, que o Setor do Artesanato deixe de ser tratado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e, passe ao Ministério da Cultura; tendo como mecanismos de gestão, o controle social e a participação ativa dos produtores artesãos, através de suas organizações, como construido nas estratégias aprovadas.
O Rio Grande do Sul esteve representado por uma delegada artesã, Ana Paula Alvarenga, de São Nicolau, e dois convidados, sendo do poder público a funcionária do Programa Gaúcho do Artesanato, Marlene Leal Garcia, e da sociedade civil o artesão Richard Gomes.



            Predispostos a contribuir para um processo de debates e discussões a cerca de uma Política Pública de Fomento e Desenvolvimento do Setor do Artesanato, cremos que as estratégias aprovadas na Setorial da II CNC ( Conferência Nacional de Cultura) possam orientar o debate, visto que apontam para a construção de uma política nacional a partir das potencialidades territoriais e regionais.

EIXO I – PRODUÇÃO SIMBÓLICA EDIVERSIDADE CULTURAL 
Criar edital específico de fomento ao artesanato, regionalizando de forma a ampliar o acesso e assegurar maior igualdade na distribuição de recursos federais.

EIXO II – CULTURA, CIDADE E CIDADANIA
Estimular a produção, circulação, comercialização e intercâmbio da produção artesanal, garantindo o acesso aos pontos de comercialização do artesão visitante, por meio de feiras e eventos nacionais e regionais anuais, inclusive com a criação de feiras específicas de produtos brasileiros nas 05 macrorregiões, com a efetiva participação dos trabalhadores artesãos organizados na gestão destes eventos.

EIXO III – CULTURA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Ampliar e desenvolver programas públicos para formação na área do artesanato, integrando os mestres artesãos e seus conhecimentos, em parceria com instituições de ensino, visando à capacitação técnica, ao estímulo à pesquisa, ao resgate de técnicas tradicionais e garantindo ao artesão ensinar em estabelecimentos formais de educação.

EIXO IV – CULTURA E ECONOMIA CRIATIVA
Criar um fórum interministerial com a participação de representantes do Setor de Artesanato, visando traçar estratégias conjuntas voltadas para o desenvolvimento do setor artesanal e ampliar os mecanismos de financiamento público e/ou privado, objetivando a produção, divulgação e comercialização do artesanato e garantindo que, onde houver dinheiro público, o artesão participe dos eventos sem custos. Fortalecer o controle social sobre a aplicação s recursos repassados pelos órgãos públicos por meio de conselhos compostos por membros do governo e da sociedade civil organizada do artesão.

EIXO V – GESTÃO E INSTITUCIONALIDADE DA CULTURA
Promover espaços permanentes de diálogos e fóruns de debate sobre o artesanato, aberto aos artesãos e suas organizações nas casas legislativas do Congresso Nacional, Assembléias Estaduais e Distrital, Câmaras Municipais e Ministérios que atuam na área, inclusive objetivando a regulamentação da profissão do trabalhador artesão.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Tempos de Matar Cavalos

Coluna de Juremir Machado da Silva, publicada no Correio do Povo: Tempo de matar cavalos
Meu avô era um sábio analfabeto. Certas coisas ele não compreendia: as mulheres que via na televisão bronzeando-se ao sol do meio-dia e homens cansando cavalos inutilmente. Antes de os cientistas darem o alerta ele já conhecia os perigos do sol para a pele dos humanos e para o fôlegos dos animais. Meu pai seguia a mesma lei: no verão, não se encilhava cavalo das 11 horas da manhã até quatro e meia da tarde. Salvo extrema necessidade. Por isso, levantavam muito cedo. As principais lides campeiras tinham de ser feitas antes de o sol ganhar o alto do céu. Andar a cavalo sem necessidade no calor era para eles coisa de gente da cidade. Pior do que isso, era algo condenável. Bárbaro.
As notícias de que dois cavalos morreram na tal cavalgada do mar horrorizariam meu avô e meu pai. Eles adoravam cavalos. Cuidavam deles com muito carinho. Veriam nessa exibição de cavaleiros urbanos, num dos verões mais quentes dos últimos tempos, um exibicionismo despropositado, uma falta de conhecimento escandalosa e uma maldade intolerável com os bichos. Para quê? Mais espantoso é o lema da brincadeira deste ano: “mulheres a cavalo pelo Rio Grande”. Um gaúcho verdadeiro, da campanha, diria com algum deboche: parem com isso, soltem os cavalos pelo Rio Grande. Com um solaço desses só há uma coisa a fazer: ficar mateando ou sesteando embaixo de um cinamomo. O resto é frescura de gente maturranga.
A secretária da Cultura, Mônica Leal, está contribuindo para maltratar cavalos na beira do mar. Ela é entusiasta desse tipo de ação cultural. Enquanto ela ajuda a estafar cavalos, sentindo-se uma nova Anita, a cultura do Rio Grande do Sul estrebucha. A sala de cinema Norberto Lubisco foi fechada. Tem cinema no shopping. Voltaire Schilling, um dos nossos intelectuais mais brilhantes e tradicionais, foi demitido da direção do Memorial do Rio Grande do Sul. Parece que ele não tinha o que conversar com a chefe. Afinal, não é de andar a cavalo na praia com sol quente. A casa está caindo, os cavalos morrendo, o circo pegando fogo. Mas a secretária Mônica Leal está firme na montaria. Sempre. Ela é dura na queda. Corresponde a todos os clichês imagináveis.
Agora, entre nós, há sem dúvida um ponto obscuro, um elemento que exige investigação séria: por que mesmo Mônica Leal tornou-se secretária da Cultura? É um tempo estranho este. Quando não há mais necessidade alguma de movimento, todos querem se deslocar. Especialmente pelos meios mais anacrônicos. Pode haver algo mais excitante do que permanecer no lombo de um cavalo, com o sol a pino, até o bicho morrer? Tudo isso em nome da tradição! Os franceses do século XVIII usavam perucas empoadas. O Ministério da Cultura da França devia lutar pela recuperação dessa tradição eliminada pela modernidade. Vou comprar um cavalo para matar na próxima cavalgada.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

PRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO CULTURAL

Caros leitores e apreciadores dos produtos e da cultura manifesta por nós da Oficina Madeira Rendada, anunciamos que decidimos estabelecer um contato cotidiano com vocês, podendo aproximar a cada dia o apreciador das nossas criações possibilitando sua interação com nosso processo produtivo.

Estamos mudando nosso enfoque: agora seremos um empreendimento econômico de produção e desenvolvimento cultural. Oferecemos além dos produtos, o conhecimento acumulado nestes vinte e alguns anos de atuação nesta atividade produtiva.

Os conceitos construídos de criatividade, desenho, qualidade, produtividade, inovação tecnológica e processos de acesso ao mercado, são elementos que estaremos provocando no debate.

Editaremos textos elaborados no decorrer da história da organização dos produtores artesãos do Rio Grande do Sul, bem como fomentaremos o debate acerca dos mesmos e sua evolução.

Acreditamos que neste contexto de desconstrução das relações de trabalho aonde a informalidade se torna a cada dia a base marginal de sustentabilidade daqueles que não mais têm emprego, e ao mesmo tempo inflacionando o então pequeno mercado do artesão; promovendo uma desqualificação na forma de produzir, inclusive no conceito de arte. 

A manufatura e os processos alternativos de produção artesanal podem ser os elementos que promoverão uma sustentabilidade socio-econômica-cultural. 
O que isso siginifica?
A autogestão, a cooperação com dimensão econômica são fundamentais para superação e reelaboração das relações de trabalho e humanas.Podemos ser até utópicos e forjar uma intenção revolucionária de construção de uma nova sociedade.

Estaremos nos próximos meses nos instalando em outro estado brasileiro, mais precisamente, o estado baiano, aonde estaremos estruturando um laboratório organizacional de produção e desenvolvimento cultural, iniciando com a comunidade local um Grupo de Produção Solidária _GPS.

Saberes e fazeres a disposição para o empoderamento dos povo de forma coletiva, o conhecimento é poder. Quando falamos em empoderamento, 
queremos que ele seja de verdade.